terça-feira, 12 de maio de 2009

Reencontro

Vem cá, meu caro amigo Vinícius, vamos falar do Nelsinho, tá lembrado dele? Viu o que ele escreveu no seu último livro? Pois é, uma polêmica. Tá lá escrito "Vai tomar no cu" em boas letras em tinta preta impressas. É meu amigo, a vida como ela é. E a Clarice? Tanto tempo que não falo com ela, soube que num surto no hospital, as beiras da morte, ela saiu louca, desvairada correndo pelos corredores e disse à enfermeira que tentava acalma-la "Você acabou de matar minha melhor personagem." Claricinha, tão meiga, tão doce, tão apaixonada. E Leminski? Leminski é um bom companheiro, disse que não há mais nada bonito que a bosta da pessoa amada. Leminski é um cachorro louco, um eterno adolescente. Mas me fale de Quintana, ele já virou passarinho? Ah, meu amigo Vinícius, ainda tens whisky pra gente beber? Eu levo um cigarro e a gente passa uma tarde em Itapoã, sim? Sinto tanta falta de nossas conversas e dos poeminhas que a gente rabiscava. Não sentes falta desse tempo, poetinha? E onde estão nossos velhos companheiros? Morreram de amor, de cachaça, ou de desgosto? Onde está a poesia de que tanto gostávamos e agora se foi? Diga-me, poeta, a vida agora é só isso? Nem sambinha, nem prosa, nem a bossa nova? Mas que vida mais sem graça! Nem cheiro de mar, nem cachaça de rolha, nem as putinhas novas de Copacabana mostrando-me seus seio rosados! Ah meu caro, sei lá, a vida tem sempre razão. Enfim, dê lembranças a Powell, Toquinho e Chega de Saudade!

Flor de Moraes

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