terça-feira, 10 de novembro de 2009

Normalidade

Nunca a realidade foi tão normal. O vento é apenas o vento das tarde quentes que precedem o verão, uns coqueiros no jardim, o céu com algumas poucas nuvens, o silêncio urbando, a paz que só acontece nesses dias normais. Uma dor de leve invade a alma e quase empurra uma lágrima pra fora, mas isso tambpem é normal, a vontade e a não realização, apenas vestígios do que poderia ter sido e não foi. E a vida vai. Meio no sobe e desce, nas idas e voltas que esses caminhos ainda nos conduzem, nas entrelinhas escondidas nas curvas de uma estrada semi reta. Alguns tentam juntar os cacos do coração partido enquanto eu simplesmente largo cada pedaço de caco por onde eu vou. Não quero juntar fragmentos de decepção e melancolia. O amargo da boca esqueço quando lembro que também já provei do doce. E simplesmente vou, apenas sigo em frente sem saber o que posso encontrar depois de uma curva, uma chuva, depois que eu voltar à minha realidade sem você.

Laura Santos

[um dia comum]

Receita

Que aquilo que o coração fala, tampe-se os ouvidos da razão,
para que quando o coração falar, os ouvidos não deturpem
nem se firam com as palavras escandalosas do amor.

Que ele fale baixinho, fale de leve, fale manso,
que mal possa se ouvir a voz, os tons, o murmúrio
melódico e enjoativo escaldado nas águas do amor.

Que ele seja firme como uma rocha e agitado como um cais,
mas que saiba reconhecer os bem feitos da razão
para que não se envelhece sob o teto do amor.

Que seja o último a chegar e o primeiro a sair,
que se guarde no próprio silêncio e que
fuja incansavelmente do tal do amor.

E o amor? O amor fica a cargo das lembranças,
da pele e da nostalgia promovida simplesmente
por amar, mas nunca ter amado de fato.

Laura Santos

domingo, 8 de novembro de 2009

Poema do dia seguinte

Me perdi no limite da razão e do sentimento
e fico parada enquanto pareço que corro
chego a lugar nenhum quando tento
e só me esqueço quando morro.

A cabeça roda e o coração agita
o silêncio dos olhos são facas pontiagudas
enquanto isso a dor parece que grita
procuro alguma coisa que acuda.

Mas só me resta essa linha
que eu acompanho com passos incertos
vejo que caminho sozinha
e te encontro nos caminhos retos.

E vai a vida desencontrada
pois mais nada interessa agora
além dessa hora errada
que não é nada além de mais uma hora.

Laura Santos

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eugênio Mohallem

O objetivo desse blog é totalmente artístico e cultural (ninguém percebeu antes, né?), mas vou falar profissionalmente nesse post. Vou ser publicitária (um dia, que sabe?), e como não poderia ser outro ramo, vou ser o que? REDATORA. Isso, vou escrever. Aí, viajando infinitamente em blogs hoje, achei um site (esse aqui) que publicou frases célebres do genial redator publicitário Mohallem. Vou postar também, né? Aproveito para meditar[mos] sobre as coisas que ele falou...

- Elegância não se resume a dar nós em gravatas: marinheiros dão nós como ninguém e se vestem como o Pato Donald.

- Minha cidade é como um jogo de xadrez: para cada dama, oito peões.

- Filhos crescem, casam e têm filhos. Não necessariamente nesta ordem.

- Não dá para acreditar num país que comprou o Acre.

- Diploma universitário não serve para nada e ainda faz você perder a carteirinha de estudante.

- Quadrinhos de jornal são muito complicados: você está lendo o Recruta Zero e sem mais nem menos surge um tal de Garfield no meio da história.

- A humanidade ainda não encontrou resposta para alguns mistérios. Por exemplo, para onde vão todos aqueles japoneses que passam em primeiro no vestibular?

- É preciso reconhecer que este ano nossos parlamentares apresentaram vários projetos de emenda: emenda o carnaval, emenda Tiradentes e emenda Corpus Christi.

- Se o horário oficial é o de Brasília, porque a gente tem que trabalhar na sexta e eles não?

- Tirando o Elvis, quem é vivo sempre aparece.

- Todo pesquisador é meio doido. Você acha que deve ser normal o cara que contou os pés da centopéia?

- Entre Livro e internet, prefiro livro. Pelo menos ele só cai quando durmo.

- Mais prudente é duvidar de tudo. Alias, não acredite nisto.

O cara é BOM de serviço.

PS: Não coloquei foto porque não se acha foto decente dele. =/

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ele

Deito sob o céu de perguntas
insistentes e impertinentes que me
encontram com os olhos fitando o
gigante da minha confusão
opaca e sagáz.

Bebo no leito do rio
onde transcorre o peito
rasgado de dor e palavras que
gritam com as
esperanças que me restam
solitariamente.

Ainda corro atrás do tempo que
levou todas a palavras que a alma
balbuciava nos
aparadores das ébrias
noites que carregavam
encantos de desejo, mas que agora
zigue-zagueiam por outras bocas.

Laura Santos

[Linger]

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Desejo

Quisera eu ter agora não mais do que a brisa que só acontece no litoral. Quisera eu não mais do que um sol veranino, um ar fresco, coqueiros de enfeite, o céu azul celeste e as ondas que vem e vão do mar inconstante. Quisera minh'alma flutuar enquanto relaxa em cima da areia branca e sente a água cristalina que no pé encosta fazendo cócegas lúdicas. Quisera minha cabeça não ter nada além do múrmurio do vento e a ladainha dos pássaros que se vão. Quisera eu não mais do que raros instantes que eu me encontro entre um surto e outro, entre uma queda e outra, entre um fracasso e outro. Quisera eu me encontrar quando finalmente esquecer de pensar o que eu penso todos os dias entre o nascer e o por do sol. E quando esse dia chegar, lá eu estarei: rindo da vida que goza de mim, agradecendo por tudos os dias passados e pedindo não mais do que esses momentos que eu sou minha e de mais ninguém. Sem testemunhas, sem relatos, sem registros, apenas o mar, o céu e a areia.

Laura Santos

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Pensamentos

Pensamentos parecem pirilampos sertanejos que clareiam o escuro nebuloso que faz no mangue da saudade. São pensamentos que gritam os fatos que foram e acorda a sereia da realidade de um futuro tanto promissor quanto incerto. Pensamentos escritos pela mão do escrivão que conta cada milímetro de palavra lembrada, dita, falada nos pergaminhos das noites de volúpia. Leio cada trecho desses pergaminhos e revivo as lembranças como se acabassem de passar por mim no estralo de um relâmpago de lembrança. Agora parece-me tudo muito nítido e evidente. O cheiro, o sabor, o tato. O dom que cada sentido meu possui mais o sentimento de sintonia agregado. São pensamentos, apenas pensamentos que me permitem voar além das minhas possibilidades e me deixam livre pelos raros instantes que o meu pensamento permite te encotrar. Como um espelho, vejo o sorriso da gratidão que a minha alma transborda e num surto de felicidade, explodo, não além do que se possa ver, mas até o limite da consciência. São pensamentos, não mais do que pensamentos que libertam.

Laura Santos

[Viõrar Vel Til Loftárasa - Sígur Rós]