quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Compêndido Geral do Brega

Ontem eu li o livro Compêndido Geral do Brega dos autores Wilson Rocha e Isabela Rocha e eles citam o que, na opinião deles, é brega. Selecionei alguns com os quais me identifiquei e se eu fosse levar o livro a sério, seria uma brega assumida. São eles:

Tatuagem;

Pagar mais com cartão do que com cheque, e mais com cheque do que com dinheiro;

Jeans rasgados nos joelhos;

Horóscopo;

Desinformação;

Esquecer um aniversário importante;

Ser "autêntico";

Dizer que faz análise;

Beber demais;

Mau humor menstrual;

Obedecer a uma ordem burra sem discutir;

Vício de torcer mechas de cabelo;

"Fissura" por sol e praia, esnobando campo e montanha;

Beleza demais;

Querer uma ajuda e não ter coragem de pedir.

E por aí vai lista a fora.

Volúpia noturna

Às vezes gosto de me perder nas lembranças e voltar no passado como o bom filho que à casa torna. Gosto de passar horas recordando e revivendo os momentos que se foram como poeira no vento, e são nessas horas que reacendo a chama das lembranças e não permito que parte da minha vida morra.
Ontem me peguei contando a nossa história como quem conta a história da vida de alguém. Apeguei-me aos detalhes e não deixei que uma data sequer passasse em branco. Me perdi lembrando das horas que eu me perdia em você e suspirei enquanto me lembrava de quantas vezes me afoguei nos rios da sua boca, do seu suor. Me esqueci de voltar ao presente porque fui feliz no passado. Senti seu gosto, seu perfume, seu calor, vi seu sorriso pálido, seus olhos cintilantes, suas mãos alvas, seu jeito de andar totalmente despreocupado. Libertei meu pensamento para que voasse distante e te alcançasse no infinito da sintonia tão passageira quanto eterna na lembrança. E cavalguei noite adentro para dentro da minha mente onde te guardo com zêlo, ternura e desejo. E nessas horas, quando o sol já se foi embora e madrugada chega a galopes, rio por instantes aquele sorriso malicioso de canto de boca e orgulho-me desses momentos secretos de volúpia noturna.

Laura Santos

ao som de Stop Coming to my House do Mogwai

Mensagem

Vi esse vídeo no UoD (Update or Die) e a mensagem é simplesmente emocionante. Vale muito a pena ver e pensar a respeito. A mensagem é do Carl Segan e a música é Stop Coming to My House do Mogwai. Não poderia ser mais perfeito. Ficadica.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Profissão de risco

Viver tornou-se altamente mortal. Não mais se morre de fatos naturais, mas morre-se de toda e qualquer coisa, tal como desgosto, veneno, amor exagerado ou degelo dos polos. Isso sem falar nas crianças que morrem de fome no Camboja e nas vítimas inocentes de bala perdida no complexo do Alemão. Viver tornou-se profissão de risco. Falo não de bombeiros, pilotos de aeronaves e cobaias que se submetem aos mais diversos testes químicos, mas falo de qualquer ser vivo, nem os animais escaparam dos perigos mortais da vida. Viver virou desafio de equilibrar-se numa corda bamba rodeada de obejtos cortantes, bactérias mortíferas e seres humanos de caráter duvidoso e questionável. Viver ficou tão curto que a vida, para muitos, começa após a morte ou transcede os limites racionais da compreensão humana, algo enigmático, misterioso e incerto. Viver exige mais do que sinais vitais em perfeito estado. Exige astúlcia, dedicação, moderação, concentração e flexibilidade para contorcer-se nos palcos da dificuldade e driblar os demônios da morte. Viver nos exige mais compreensão e menos malícia, mais dedicação e menos fadiga, mais intensidade e menos exagero. Viver é profissão universal e a única que nos ensina de que se morre.
Laura Santos
ao som de Requiem para um Sonho

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cena de verão

E num instante a paisagem mudara completamente. O céu que antes era limpo e calmo e servia de palco para o astro sol agora se transformara num buraco de tons cinzas e dava espaço para negras nuvens diurnas. Até o cheiro do ar era diferente. Não mais o vento fresco da tarde dessa segunda, mas uma brisa quase fria que invade de mansinho as portas da sala e quebra o hálito quente desse lugar. De longe escuta-se um trovão valente e imponente que corta o silêncio impertinete. De repente meu humor também se alternara. Passei do sorriso eufórico e inquieto para o polo da melancolia e quietude. E aos poucos, o clima e os sentimentos compõem o cenário da estação veranina, enquanto faz sol e chove, eu me ocupo em ser feliz e triste. Tudo ao mesmo tempo.
Laura Santos

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Preciso me perder

Eu preciso sair pra me perder em algum lugar. Preciso mais do que essas esquinas conhecidas e essas caras batidas que não me fazem falta alguma. Eu preciso me perder em alguma constelação mágica que me dê não mais do que abrigo e brilho. Quero me perder nessas ilhas desertas rodeadas da beleza infinita e desesperadora da solidão. Quero me perder em pensamentos bons, em sentimentos confortantes, em braços aconchegantes e palavras sinceras, quero apenas a sinceridade desses bons momentos. Quero me perder pra tentar me encontrar. Quero me perder e perder. Perder de vista os problemas, as dores, os desafetos que me batem a porta como cobradores, pois são, de fato, cobradores da vida, da alegria e da alma. Eu necessito me perder em qualquer lugar que me receba bem, e não quero carregar nada, nem roupas, nem comida, nem cigarros, quero a liberdade de caminhar rumo a lugar nenhum, de mãos vazias e coração cheio de esperança e ausente de lembranças ruins. Quero simplesmente e tão somente me perder, quem sabe alguém não me encontra distraída por aí?

Laura Santos

Alívio Imediato

Música de segunda

Esse ano eu quero postar uma música diferente toda segunda feira, e para começar, no primeiro post do ano: MUSE

Música: Map of your head
Artista: Muse
Álbum: Hullabaloo



Tradução:
Eu cansei de oferecer minha alma
Pra pessoas que nunca vão saber
O quão insignificantes e vazias elas se tornaram
Porque o idioma confunde
Assim como os computadores se recusam
A entender como estou me sentindo hoje

Eu estou congelando e perdendo o caminho
Eu não preciso de outro mapa da sua cabeça
Eu estou congelando e perdendo o caminho
Eu não preciso de outro mapa da sua cabeça

Eu vi um controle líquido
Que dá vida a todos nós
Eu bati minha cabeça nisso e acordei pra saber
Que eu estava completamente sozinho
Vestindo apenas meias e um fone
Alguém gritando como se o mundo fosse explodir

Linda, não?