segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Aniversário

No dia dos meus 21 anos de idade o céu amanheceu nublado. Chovia uma chuva de segunda feira anunciando que a semana já começara fria e molhada. Tive uma manhã normal. Fui à faculdade, estudei, abracei meus poucos amigos e recebi votos de felicidade da minha família. O tempo continuava nublado, mas minha aura brilhava coloridamente. No dia dos meus 21 anos, não muita coisa mudava, apenas o fato de que eu ficava um ano mais velha, porque, de fato, o tempo passa e isso não muda. Não tive uma comemoração espetacular, embora não esperasse por nada que fosse grandioso. Me contentei com os abraços, os votos de felicidade, os presentes, os telefonemas, e-mails e mensagens de quem se lembrava da data. Também me contentei com a chuva e o tempo frio, afinal, eu ficava mais velha, mas não podia mudar certas coisas. No dia dos meus 21 anos de idade, eu ainda continuava com os velhos vícios de sempre, a mania incansável de tudo no lugar, os tons avermelhados, a velha bossa nova, o sarcasmo de Leminski e a poesia de Vinícus. Me contentei em escrever algumas palavras sobre meus 21 anos de idade. Um dia, quem sabe, não escreva sobre o que fiz no dia dos meus 90 anos? Talvez procure um virgem, talvez encontre um amor, talvez nem chegue lá...

Laura Santos


[sem música, apenas fatos, fotos e melodias que passam ligeiramente na minha cabeça me lembrando que já se passara 21 anos. Quantos outros ainda estariam por vir?]

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Novidades

Pessoas, ando com a vida um tanto corrida. Sem internet em casa pois acabei de me mudar pra um apartamento e ainda não arrumei meu computador. Enfim, assim que tiver time, vou continuar com as atualizações e tudo mais. E pra quem quer saber, em breve novidades estão vindo.

Beijos e boas energias.

domingo, 2 de agosto de 2009

Avesso

Mas eu sinto que voce é a pessoa mais parecida comigo que eu conheço, so que do lado do avesso...mas acho que com voce eu me esqueço e em seguida eu aconteço... Ceumar disse tudo em poucas palavras o que eu tento dizer em versos infinitos que nao esquentam nem esfriam, mas ca dentro do peito, um desejo acumulado explode despejando suor nos meus poros que rumam sentido aos seus. Tais como fumaça, solto pensamentos na penseira do mundo que nao pode os enxergar. Fico feliz em compartilhar meus sonhos que ninguem ve e as lembranças das quais ninguem se recorda. Sao fragmentos dos meus dias passados que nas noites consumados à luz do dia eram revelados. Descia a ficha pela catraca do meu cerébro e pagava a conscientizaçao do que se passara. Acomodo-me nas agradeveis sensaçoes que as lembranças me proporcionalm e elevo-me a tal estado que quase as sinto acontecerem agora. O sino ecoa eternamente na minha cabeça e me lembra de quantas oraçoes eu fiz olhando pros seus olhos tao incredulos, tao fieis. A grama era mais verde, a luz era mais brilhante, o gosto era doce, as noites de desejo, o rio era interminavel, para sempre e sempre. Assim se vao os anos que dividem minha vida em duas partes: a de quando eu me conhecia e a de quando eu conheci voce.
Por isso deixo aqui meu endereço, se voce me procurar eu apareço, se voce me encontrar, te reconheço...

Laura Santos

[Ceumar e Pink Floyd]

sábado, 1 de agosto de 2009

Dicas para uma vida saudavel

Arrume a casa,
lave a louça suja,
nao fume muito,
regue as plantinhas,
limpe os banheiros,
guarde os sapatos,
nao escute musicas depressivas,
assiste bons filmes,
coma coisas saudaveis,
nao sinta saudades,
converse com as paredes,
beba um bom vinho,
nao saia de casa,
nao procure por ele em outras faces,
nao o veja em outros bares,
desligue o celular,
deite-se cedo,
tranque bem as portas,
feche as janelas,
lave a roupa suja,
nao arranque os cabelos,
vista um agasalho,
nao fique perto demais das grades da sacada,
beba agua,
acenda um incenso,
faça uma prece
e acostume-se com a solidao que lhe resta,
afinal, foi tudo o que voce desejou desde sempre.

Flor de Moraes

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Da solidao

Desilusao, desilusao, danço eu, dança voce na dança da solidao. Ah essa solidao inexplicavel e sem fim. Essa solidao cercada de pessoas e a falta de nao se sabe o que. Pode ser de qualquer coisa, pode ser de nada. A solidao que eu pedi que caisse dos ceus agora cai numa hora meio inapropriada, a hora que eu mais precisava de alguem. Mas ja que me resta apenas a solidao de sentar em frente a porta e esperar que alguem chegue, escrevo essas palavras sem acento pois nao consigo acha-los nesse computador moderno, escuto o futebol que nada me interessa passar na televisao e ja me conformo e estar sozinha, afinal ninguem vai vir pro jantar.

Laura Santos

terça-feira, 28 de julho de 2009

Segredos do mar

Musiquinha que eu tenho escutado muito esses dias.

Segredos do mar
Flavia Wenceslau



"Uma parte do meu coraçao nao me avisou que assim seria, conhecer os temporais pra ter alguma calmaria."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Lei dos Corpos Dóceis

O Jornal Nacional terminou agora e já vai começar a novela das oito que na verdade começa às oito e quarenta. Já se passou o jantar, a hora do banho, dos deveres de casa e ainda tem um resto de comida nas panelas em cima do fogão e a louça continua suja dentro da pia. Os cachorros já se deitaram, as toalhas estão penduradas, a casa tá limpa e silenciosa, exceto pelos cômodos contidos de pessoas que provocam algum ruído quase insignificante. Cada um no seu quarto, sua cama, televisão, computador e música. Houveram tentativas de conversas, mas as divergentes opiniões nos levaram ao lugar mais óbvio: lugar nenhum. Acometida de resfriado que não melhora nem piora, me irrito a medida que uma corisa incômoda escorre pelo meu nariz que ora não sente cheiro de nada, assim como minha boca não sente gosto, mas minha alma sim, ela saboreia o paladar amargo do mau humor. Os ouvidos insensíveis escutaram pela primeira vez o coração sensível que já não tocava há algum tempo, já era hora de desprender de lembranças sem sucesso que o passado me deixou. Cidade e cor tocam em meu auxílio para compor palavras que não fazem mais do que desabafar. É tudo tão rotineiro. Almoço, gasolina no carro, remédio para gripe, as notícias do jornal, a história da novela, as crises, as decisões, as músicas para dias depressivos, o número do sapato e até a cor dos olhos. Qualquer passo que seja menos iluminado me proporciona a sensação de um passo incerto, em falso, duvidoso. Sair do conforto de uma cadeira totalmente acostumada com as curvas do seu corpo, a toalha sempre estendida ao seu modo, as roupas penduradas por modelo, cor ou tamanho no guarda-roupa são parte de um presente concreto e totalmente previsível. É tudo tão previsível. A essa hora, creio eu, a maioria se importa apenas em vestir-se de um pijama confortável e deleitar-se numa cama macia e de lençois limpos, porque é mais interessante do que jogar cartas em família ou ler Nelson Rodrigues e suas putas bacanas. Tudo isso me entedia deploravelmente. O veredito diz que sou culpada pelos meus pecados, mas eu não quero ser sozinha essa noite. E por que tem sempre que fazer frio no inverno e calor no verão? Por que as flores são mais bonitas na primavera, mas a folhas sempre caem no outono? Por que amigos vem e vão? E por que sempre somos os mesmos? Por que não mudamos a cor dos olhos e o número do sapato? Por que comemos sempre no mesmo horário e pedimos a mesma cerveja no mesmo bar? E que diferença faz se as camisas não são penduradas por ordem de cor? Envolvo-me de perguntas que não farão a mínima diferença, embora me incomodem demasiadamente, mas prefiro continuar a escrever essas palavras do que levantar-me e pedir para que amanhã seja mais quente do que hoje, que eu tenha menos dúvidas e que a corisa pare de escorrer. Sendo assim, padeço dos pecados que eu cometo e carrego a cruz da incapacidade de transformar nada em qualquer coisa, ao contrário disso, vejo qualquer coisa passar-se por nada porque eu não soube vê-la de outra maneira. Até os meus olhos estão acostumados com a Lei dos Corpos Dóceis. E enquanto isso, enquanto meu corpo trafega pelos mesmos caminhos e eu tomo sempre os mesmos remédios para resfriado, minha alma de bicho selvagem e inconformado vomita a repugnância de ser apenas Eu, e nada além disso.


Porque nada eu fiz para que fosse diferente.


Laura Santos.