Ah quem me dera ser compreendida
que essa é a profissão da minha vida
e que eu amo ser assim.
Ah quem me dera me amassem
e em notas verdes me pagassem
o prazer que eu lhes dou sem fim.
Mas que esquinas de gente pequena,
tomam minha alma por pequena
só porque nunca me formei.
Mas na profissão da vida,
gosto de ser vadia
enquanto garis pagam de rei.
E quando me pergutam maliciosamente,
se não gostaria de uma vida decente,
eu respondo que não.
Pois como médicos e doutores,
também tenho dinheiro e amores
e alimento as crianças com pão.
Flor de Moraes
quarta-feira, 17 de junho de 2009
domingo, 14 de junho de 2009
Pássaros
Pássaros engaiolados cada um de um lado
anseiam de bom grando que se soltem os cadeados
e que voem livre lado a lado.
Pássaros de sobrevôos breves e rasantes
pedem que não vivam assim tão distantes
e livre sejam por alguns bons instantes.
Pássaro que vai pousar na minha janela,
tenho tanto medo de que um dia vais embora,
deixando triste minha alma que chora
e nem se lembre quão nobre era ela.
Pássaro que eu quero que aqui esteja,
por favor amor não me negue,
mas se por ventura eu não me apegue
lembre-se de tudo que é breve,
e que assim seja.
Flor de Moraes
[Peaches and Cream - John Butler Trio]
anseiam de bom grando que se soltem os cadeados
e que voem livre lado a lado.
Pássaros de sobrevôos breves e rasantes
pedem que não vivam assim tão distantes
e livre sejam por alguns bons instantes.
Pássaro que vai pousar na minha janela,
tenho tanto medo de que um dia vais embora,
deixando triste minha alma que chora
e nem se lembre quão nobre era ela.
Pássaro que eu quero que aqui esteja,
por favor amor não me negue,
mas se por ventura eu não me apegue
lembre-se de tudo que é breve,
e que assim seja.
Flor de Moraes
[Peaches and Cream - John Butler Trio]
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Retrato em Branco e Preto
Música: Retrato em Branco em Preto.
Composição: Tom Jobim e Chico Buarque
Interpretação: Tom Jobim e Elis Regina (mas com Ney Matogrosso também é demais)
Crítica: Impressionante. Tom e Chico têm a letra, Elis e Ney têm a interpretação. Para quem anda meio melancólico, meio indiferente com a vida, é genial. Parece que lava a alma.
Abaixo duas versões da música e a letra.
"Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho,
E sei também que ali sozinho,
Eu vou ficar tanto pior
E o que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos,
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo,
Procurar o desconsolo,
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras,
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado,
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração."
[post melancólico para o dia dos namorados que eu passarei sozinha e bem, sim]
Composição: Tom Jobim e Chico Buarque
Interpretação: Tom Jobim e Elis Regina (mas com Ney Matogrosso também é demais)
Crítica: Impressionante. Tom e Chico têm a letra, Elis e Ney têm a interpretação. Para quem anda meio melancólico, meio indiferente com a vida, é genial. Parece que lava a alma.
Abaixo duas versões da música e a letra.
"Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho,
E sei também que ali sozinho,
Eu vou ficar tanto pior
E o que é que eu posso contra o encanto,
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto e que, no entanto,
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes, velhos fatos,
Que num álbum de retratos
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo,
Procurar o desconsolo,
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras,
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado,
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado e você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto,
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração."
[post melancólico para o dia dos namorados que eu passarei sozinha e bem, sim]
terça-feira, 9 de junho de 2009
Embarcação
Erguei-vos mastros do meu barco à vela
que eu nunca mais hei de vê-la
nunca mais hei de tê-la
nem nunca mais hei de chorar por ela.
Erguei-vos, oh mastros do me barquinho
que ora já se faz tempo futuro
vamos que água também é solo duro
e eu não quero debater-me pelo caminho.
Soprai os ventos da saudade
e levem meus beijos pra ela
dona dos meus sonhos, pequena donzela
desde agora e sempre eternidade.
Carreguem de água e comida
os porões dessa embarcação
pois já trago calejado coração
dessa farta e mísera vida.
H. Guimarães
que eu nunca mais hei de vê-la
nunca mais hei de tê-la
nem nunca mais hei de chorar por ela.
Erguei-vos, oh mastros do me barquinho
que ora já se faz tempo futuro
vamos que água também é solo duro
e eu não quero debater-me pelo caminho.
Soprai os ventos da saudade
e levem meus beijos pra ela
dona dos meus sonhos, pequena donzela
desde agora e sempre eternidade.
Carreguem de água e comida
os porões dessa embarcação
pois já trago calejado coração
dessa farta e mísera vida.
H. Guimarães
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Quando eu crescer
Pai, eu sei o que eu quero ser quando crescer.
Sabe aqueles homens assim, meio tipo, vagabundos? Desses que ficam até tarde na rua, dormem na sarjeta, bebem cerveja, saem com umas vadias, escrevem nos guardanapos e batucam na mesa? Desses assim, meio descompromissados, cheios de amor e poesia que andam falando de Vinícius e Elis? Sabe pai, aqueles que sentam na calçada, sonham com a vida e não pedem nada? Eu quero ser um deles. Quero sentar na calçada, escrever um poeminha, batucar na caixinha de fósforo, quero acender um cigarro e ter sempre uma boa companhia (nem que seja boa de cama) e quero morrer cercado dos meus amigos, meus amigos tão beatnicks e boêmios quanto eu. Sabe pai, eu quero ser assim. E que me falte o dinheiro, mas não a poesia, e se me faltar família, terei um copo de cerveja e um cigarro que muito me servem de companhia.
Eu quero ser assim.
Laura Santos
Sabe aqueles homens assim, meio tipo, vagabundos? Desses que ficam até tarde na rua, dormem na sarjeta, bebem cerveja, saem com umas vadias, escrevem nos guardanapos e batucam na mesa? Desses assim, meio descompromissados, cheios de amor e poesia que andam falando de Vinícius e Elis? Sabe pai, aqueles que sentam na calçada, sonham com a vida e não pedem nada? Eu quero ser um deles. Quero sentar na calçada, escrever um poeminha, batucar na caixinha de fósforo, quero acender um cigarro e ter sempre uma boa companhia (nem que seja boa de cama) e quero morrer cercado dos meus amigos, meus amigos tão beatnicks e boêmios quanto eu. Sabe pai, eu quero ser assim. E que me falte o dinheiro, mas não a poesia, e se me faltar família, terei um copo de cerveja e um cigarro que muito me servem de companhia.
Eu quero ser assim.
Laura Santos
sábado, 6 de junho de 2009
Interdisciplinar

Texto desenvolvido com finalidade acadêmica para o projeto Interdisciplinar I da faculdade ESAMC Uberlândia.
Tema: O poder da imagem.
Tema do projeto: Influência Norte - Americana
Prezados amigos Portugueses,
Saudações e novidades dessas terras tupiniquins. Tenho muito que contar.
Tão logo que os amigos partiram, as coisas começaram a ficar assim, meio português, meio inglês e a gente nunca sabe muito o que é o que. Não tem mais a farinha de mandioca, nem o peixe assado, nem as frutas frescas e tropicais, agora a gente come hamburguer no McDonalds, toma Coke e engorda a lot. Nos finais de semana tem happy hour com os amigos, tomamos Heineken gelada e comemos mais junk food. Tem mais, amigos lusitanos, nossas crianças não brincam mais no playground do condomínio, agora elas jogam Speed Racer no Vídeo Game com a televisão em High Definition e preferem nuggets com catchup ao famoso bolo de milho brasileiro. Se não é o tal do vídeo game, é o tal do chat on the internet, status online e meu dinheiro sumindo quando o mouse quebra ou tenho que comprar um flat monitor ou um novo HD, ou Hard Disk para os amigos leigos. No país do futebol, agora também se joga golf e baseball e pratica-se body jump.
A gente também está ficando mais bonito, agora tem make up diurna e noturna, balm stick para os lábios secos e mega hair para o cabelo curto ficar longo em questão de horas. E não há nada, absolutamente nada que Photoshop não dê jeito. Tem horas que a gente tem que se acostumar, sabe? Quando eu vejo meu filho falando que vai fazer o “download do filme Star Wars, da série Lost e da banda Nirvana Unplugged MTV live at New York” eu pergunto: Vai comer ou vai passar no cabelo, filhinho? Aí ele me manda ir ver Big Brother Brasil.
A educação também mudou, como tudo nesse país. Agora se fala muito em marketing, feedback, e festa open bar. Na rua a gente recebe flyers, folders e vemos banners e outdoors de longe. É tanta coisa que eu já ando fazendo uma lista pra não me perder. Eu sei que Nike fica na loja de tênis, Masterfoods fica na gôndola do supermercado e screamo não é a mesma coisa que hardcore. Ah que saudades eu tenho do bom e velho blues!
E apesar de tudo isso, de toda essa desconstrução de identidade nacional, a globalização desenfreada e a informação cada vez mais rápida, ainda assim, nós somos uma população feliz, cheia de highs and lows e podendo dizer: Yes, we can porque nós somos brasileiros and we never give up.
E como diriam os americanos,
See ya’
P.S: Assim que tiver tempo, te mando um email sobre o último episódio da família mais querida, os Simpsons. E ah! Agora eu tenho myspace, facebook e twitter pra manter o contato com essas terras distantes.
Kisses.
Brasil.
Laura Santos
terça-feira, 2 de junho de 2009
Mas é claro
E já era tempo de ver as folhas caindo
e o sol muito pouco esquentando,
já era tempo de sair mais agasalhado
e ver a gente se amando,
já era tempo que você chegasse logo,
e de repente me livrasse do frio,
já era tempo andar mais rápido
e preenchar ora o espaço vazio.
Já era tempo do tempo frio chegar,
sem medo e apressado,
já era tempo desse frio tempo gelado,
e mais cortante do que a pior dor que eu carregar.
Mas já era tempo, porque até o tempo se vai,
e se eu me lembro das tardes quente de verão e
da pouca roupa?
-Mas é claro, eu fui tão feliz...
Flor de Moraes
e o sol muito pouco esquentando,
já era tempo de sair mais agasalhado
e ver a gente se amando,
já era tempo que você chegasse logo,
e de repente me livrasse do frio,
já era tempo andar mais rápido
e preenchar ora o espaço vazio.
Já era tempo do tempo frio chegar,
sem medo e apressado,
já era tempo desse frio tempo gelado,
e mais cortante do que a pior dor que eu carregar.
Mas já era tempo, porque até o tempo se vai,
e se eu me lembro das tardes quente de verão e
da pouca roupa?
-Mas é claro, eu fui tão feliz...
Flor de Moraes
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