Mão aberta e peito fechado
Pela porta que entrou, agora vai embora
Não olhe para a alma que chora
E nem deixe recado.
A vida seguirá a passos normais.
Laura Santos
domingo, 15 de novembro de 2009
Lembre
Lembrança é aquilo que acontece quando o feixe de luz de dois polos da emoção atingem a alma: a alegria demasiada e a tristeza amarga. Lembrança é aquilo que fica depois de um sonho, uma noite, um beijo, um cheiro. É o encontro do passado e do futuro quando você projeta a não-realidade nos dias vindouros. É o instante que passa tão rápido que você mal teve tempo de saborea-lo aos poucos, com gosto, com tato, calmamente. Lembrança é o cheiro da nostalgia que adentra as narinas e chega direto nas veias; é o sabor da melancolia que a boca se torce para digerir; é a sombra que passa pelos olhos numa velocidade que só o coração calcula. Lembrança é tudo que te traz a saudade que caleja, que fere a golpes de imagens o que passou e que não mais voltará. Lembrança é tudo aquilo que você tenta inutilmente esquecer, mas ela volta como um fantasma mal resolvido. Não tente esquecer. Simplesmente aceite e lembre-se com amor e doçura o que se foi. Guarde seus melhores momentos e conviva apenas com a ideia de que passou, não com o dissabor de que não mais voltará. Orgulhe-se de um dia ter sido feliz, ter tido alguém, ter viajado pra longe, ter provado uma comida exótica. E apenas lembre, mas lembre o suficiente para sentir o gosto do passado. Não lembre com apego, porque o apego nos leva instantaneamente ao sofrimento, e ninguém precisa sofrer pelo passado.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Normalidade
Nunca a realidade foi tão normal. O vento é apenas o vento das tarde quentes que precedem o verão, uns coqueiros no jardim, o céu com algumas poucas nuvens, o silêncio urbando, a paz que só acontece nesses dias normais. Uma dor de leve invade a alma e quase empurra uma lágrima pra fora, mas isso tambpem é normal, a vontade e a não realização, apenas vestígios do que poderia ter sido e não foi. E a vida vai. Meio no sobe e desce, nas idas e voltas que esses caminhos ainda nos conduzem, nas entrelinhas escondidas nas curvas de uma estrada semi reta. Alguns tentam juntar os cacos do coração partido enquanto eu simplesmente largo cada pedaço de caco por onde eu vou. Não quero juntar fragmentos de decepção e melancolia. O amargo da boca esqueço quando lembro que também já provei do doce. E simplesmente vou, apenas sigo em frente sem saber o que posso encontrar depois de uma curva, uma chuva, depois que eu voltar à minha realidade sem você.
Laura Santos
[um dia comum]
Receita
Que aquilo que o coração fala, tampe-se os ouvidos da razão,
para que quando o coração falar, os ouvidos não deturpem
nem se firam com as palavras escandalosas do amor.
Que ele fale baixinho, fale de leve, fale manso,
que mal possa se ouvir a voz, os tons, o murmúrio
melódico e enjoativo escaldado nas águas do amor.
Que ele seja firme como uma rocha e agitado como um cais,
mas que saiba reconhecer os bem feitos da razão
para que não se envelhece sob o teto do amor.
Que seja o último a chegar e o primeiro a sair,
que se guarde no próprio silêncio e que
fuja incansavelmente do tal do amor.
E o amor? O amor fica a cargo das lembranças,
da pele e da nostalgia promovida simplesmente
por amar, mas nunca ter amado de fato.
Laura Santos
para que quando o coração falar, os ouvidos não deturpem
nem se firam com as palavras escandalosas do amor.
Que ele fale baixinho, fale de leve, fale manso,
que mal possa se ouvir a voz, os tons, o murmúrio
melódico e enjoativo escaldado nas águas do amor.
Que ele seja firme como uma rocha e agitado como um cais,
mas que saiba reconhecer os bem feitos da razão
para que não se envelhece sob o teto do amor.
Que seja o último a chegar e o primeiro a sair,
que se guarde no próprio silêncio e que
fuja incansavelmente do tal do amor.
E o amor? O amor fica a cargo das lembranças,
da pele e da nostalgia promovida simplesmente
por amar, mas nunca ter amado de fato.
Laura Santos
domingo, 8 de novembro de 2009
Poema do dia seguinte
Me perdi no limite da razão e do sentimento
e fico parada enquanto pareço que corro
chego a lugar nenhum quando tento
e só me esqueço quando morro.
A cabeça roda e o coração agita
o silêncio dos olhos são facas pontiagudas
enquanto isso a dor parece que grita
procuro alguma coisa que acuda.
Mas só me resta essa linha
que eu acompanho com passos incertos
vejo que caminho sozinha
e te encontro nos caminhos retos.
E vai a vida desencontrada
pois mais nada interessa agora
além dessa hora errada
que não é nada além de mais uma hora.
Laura Santos
e fico parada enquanto pareço que corro
chego a lugar nenhum quando tento
e só me esqueço quando morro.
A cabeça roda e o coração agita
o silêncio dos olhos são facas pontiagudas
enquanto isso a dor parece que grita
procuro alguma coisa que acuda.
Mas só me resta essa linha
que eu acompanho com passos incertos
vejo que caminho sozinha
e te encontro nos caminhos retos.
E vai a vida desencontrada
pois mais nada interessa agora
além dessa hora errada
que não é nada além de mais uma hora.
Laura Santos
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Eugênio Mohallem
O objetivo desse blog é totalmente artístico e cultural (ninguém percebeu antes, né?), mas vou falar profissionalmente nesse post. Vou ser publicitária (um dia, que sabe?), e como não poderia ser outro ramo, vou ser o que? REDATORA. Isso, vou escrever. Aí, viajando infinitamente em blogs hoje, achei um site (esse aqui) que publicou frases célebres do genial redator publicitário Mohallem. Vou postar também, né? Aproveito para meditar[mos] sobre as coisas que ele falou...
- Elegância não se resume a dar nós em gravatas: marinheiros dão nós como ninguém e se vestem como o Pato Donald.
- Minha cidade é como um jogo de xadrez: para cada dama, oito peões.
- Filhos crescem, casam e têm filhos. Não necessariamente nesta ordem.
- Não dá para acreditar num país que comprou o Acre.
- Diploma universitário não serve para nada e ainda faz você perder a carteirinha de estudante.
- Quadrinhos de jornal são muito complicados: você está lendo o Recruta Zero e sem mais nem menos surge um tal de Garfield no meio da história.
- A humanidade ainda não encontrou resposta para alguns mistérios. Por exemplo, para onde vão todos aqueles japoneses que passam em primeiro no vestibular?
- É preciso reconhecer que este ano nossos parlamentares apresentaram vários projetos de emenda: emenda o carnaval, emenda Tiradentes e emenda Corpus Christi.
- Se o horário oficial é o de Brasília, porque a gente tem que trabalhar na sexta e eles não?
- Tirando o Elvis, quem é vivo sempre aparece.
- Todo pesquisador é meio doido. Você acha que deve ser normal o cara que contou os pés da centopéia?
- Entre Livro e internet, prefiro livro. Pelo menos ele só cai quando durmo.
- Mais prudente é duvidar de tudo. Alias, não acredite nisto.
O cara é BOM de serviço.
PS: Não coloquei foto porque não se acha foto decente dele. =/
- Elegância não se resume a dar nós em gravatas: marinheiros dão nós como ninguém e se vestem como o Pato Donald.
- Minha cidade é como um jogo de xadrez: para cada dama, oito peões.
- Filhos crescem, casam e têm filhos. Não necessariamente nesta ordem.
- Não dá para acreditar num país que comprou o Acre.
- Diploma universitário não serve para nada e ainda faz você perder a carteirinha de estudante.
- Quadrinhos de jornal são muito complicados: você está lendo o Recruta Zero e sem mais nem menos surge um tal de Garfield no meio da história.
- A humanidade ainda não encontrou resposta para alguns mistérios. Por exemplo, para onde vão todos aqueles japoneses que passam em primeiro no vestibular?
- É preciso reconhecer que este ano nossos parlamentares apresentaram vários projetos de emenda: emenda o carnaval, emenda Tiradentes e emenda Corpus Christi.
- Se o horário oficial é o de Brasília, porque a gente tem que trabalhar na sexta e eles não?
- Tirando o Elvis, quem é vivo sempre aparece.
- Todo pesquisador é meio doido. Você acha que deve ser normal o cara que contou os pés da centopéia?
- Entre Livro e internet, prefiro livro. Pelo menos ele só cai quando durmo.
- Mais prudente é duvidar de tudo. Alias, não acredite nisto.
O cara é BOM de serviço.
PS: Não coloquei foto porque não se acha foto decente dele. =/
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Ele
Deito sob o céu de perguntas
insistentes e impertinentes que me
encontram com os olhos fitando o
gigante da minha confusão
opaca e sagáz.
Bebo no leito do rio
onde transcorre o peito
rasgado de dor e palavras que
gritam com as
esperanças que me restam
solitariamente.
Ainda corro atrás do tempo que
levou todas a palavras que a alma
balbuciava nos
aparadores das ébrias
noites que carregavam
encantos de desejo, mas que agora
zigue-zagueiam por outras bocas.
Laura Santos
[Linger]
insistentes e impertinentes que me
encontram com os olhos fitando o
gigante da minha confusão
opaca e sagáz.
Bebo no leito do rio
onde transcorre o peito
rasgado de dor e palavras que
gritam com as
esperanças que me restam
solitariamente.
Ainda corro atrás do tempo que
levou todas a palavras que a alma
balbuciava nos
aparadores das ébrias
noites que carregavam
encantos de desejo, mas que agora
zigue-zagueiam por outras bocas.
Laura Santos
[Linger]
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