Ando meio musical. Meus pés sapateiam compulsivamente e quase toco algum instrumento no ar. Ando meio Björk, meio Tom Jobim, meio Nouvelle Vague, Bossa Nova, samba, rock.
Ando assim, suando notas em sol e lá menor, alguma clave de fá que tropece na vida e me ache perdida. Alguma partitura que eu ande por ela lendo as notas que compõem a melodia dos meus sonhos. E enquanto não escuto o coro de anjos assexuados que cantam celestialmente, ensaio algum sambinha malicioso que embala a boemia da sexta feira que chega assoviando.
Ultimamente ando embriagada, só não sei se de amor, de álcool ou de sonhos. Não sei se me faz a cabeça a cachaça que sobe como fumaça de lixo, ou os sonhos que meu coração abriga e suam pelos meus poros. Não sei se me embriago de pouco ou de muito amor, pois tanto faz a quantidade, me importa mais a qualidade, nem que seja por instantes. O que de fato importa é que eu esteja embriagada, tanto faz se de álcool, de amor ou de sonhos. A alucinação alimenta o vazio que o mundo deixa e preenche o cantos entranhados no corpo pequeno. Embriago, bebo, sonho, bebo, embriago, amo, bebo, amo, embriago e por assim sigo meus dias que não conto pelos dedos nem pelo calendário, mas pelas lembranças que tenho à medida que passam e se vão deixando não mais do que essas lembranças que eu amo tanto.
Eu juro que ia dormir hoje sem postar mais nada, minha cabeça está explodindo e minha paciência tá mais curta do que perna de cobra, mas não posso ir dormir sem prestar uma homenagem. Morreu hoje uma das maiores vozes argentinas e dona de composições eternas. Mercedes Sosa foi uma mulher corajosa, talentosa e muito querida no ramo artístico. Para homenagear, vou postar o vídeo e a letra da sua música mais popular e claro, a minha preferida.
Solo le pido a Díos (Eu só peço a Deus)
Eu só peço a Deus Que a dor não me seja indiferente Que a morte não me encontre um dia Solitário sem ter feito o q’eu queria
Eu só peço a Deus Que a dor não me seja indiferente Que a morte não me encontre um dia Solitário sem ter feito o que eu queria
Eu só peço a Deus Que a injustiça não me seja indiferente Pois não posso dar a outra face Se já fui machucada brutalmente
Eu só peço a Deus Que a guerra não me seja indiferente É um monstro grande e pisa forte Toda fome e inocência dessa gente
Eu só peço a Deus Que a mentira não me seja indiferente Se um só traidor tem mais poder que um povo Que este povo não esqueça facilmente
Eu só peço a Deus Que o futuro não me seja indiferente Sem ter que fugir desenganando Pra viver uma cultura diferente
(Que a paz esteja sempre presente e que a felicidade não seja um objetivo, mas um caminho.)
Eu menti verdades esfarrapadas enquanto sonhava acordada com lembranças que nunca dormiam. Eu menti sentimentos afogados em copos de álcool e devorados por monstros invisíveis que eu criei. Eu menti desejos secretos que transpiravam no suor da euxaustão do meu corpo fatigado pela vontade nunca realizada. Eu traí argumentos e defendi conceitos tão fracos quanto minha chance de lutar contra eles. E agora eu confesso meus pecados nunca cometidos e pago pelo simples fato de desejar uma alma que nunca será minha, mas que um dia fez parte desse caminho tortuso que eu insisto em deixar pegadas marcadas no chão empoeirado e incerto. Eu menti, mas quem nunca mentiu pra si mesmo?